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Quinta-feira, Janeiro 28, 2010

loucura não faz sentido...

Passava horas e horas no porão de sua casa, o Fulvinho. Ninguém sabia fazendo o que exatamente. Sempre foi assim, a mesma rotina, voltava da escola e se enfurnava no porão. Chegava a passar dias lá dentro sem subir para brincar com os amiguinhos da rua. Até o dia em que dona Genivalda, sua mãe, o chamou para assistir "Por trás do lambe-lambe", seu programa semanal favorito e o garoto se recusou. Foi a gota d'água! Tudo bem que era um tanto quanto preocupante e até apavorador o programa favorito de um garoto de 8 anos ser um reality show que acompanhava um velhinho e sua obsoleta máquina photográphica através das praças por todo o interior da América Latina basicamente esperando fregueses que não apareciam nunca. Mas assim era Fulvinho. Preocupada, dona Genivalda desce até o porão... para nunca mais subir.

Trinta e três horas depois, a casa está cercada pela polícia, estúdios móveis dos canais televisivos e, claro, curiosos desocupados demais para terem tempo de cuidar das suas próprias vidas infelizes. O "caso do garoto canibal que construia um robô abastecido com silicone materno" já alcançava o status de lenda urbana e notícia sensacionalista do mês no mundo todo. Parentes, professores e colegas da escola se revezavam cedendo longas entrevistas onde descreviam a psiquê amendrontadora de um garoto com quem nunca tinham conversado de forma mais profunda (afinal, ele quase nunca saia do porão...). Estava eleito o inimigo público número 1 da vez: O introvertido e diabolicamente estranho Fulvio.

A polícia não invadia a casa, pois o garoto mantinha sua irmã mais nova como refém. A pequena e iluminada Jocasta. As photos de seu sorriso puro e olhar ingênuo de santa estampavam as primeiras páginas de todos os jornais. Também faziam a alegria dos ambulantes que, de forma um tanto quanto oportunista, reproduziam sua quase beatificada imagem em velas de sete dias (que vendiam como se fosse cerveja quente em grandes festivais de música) para as vigilias promovidas pelas igrejas de várias religiões que, num gesto sem precedentes na stória da humanidade, se uniram para orar em uma só voz.

Pensando bem, deve ter sido por causa dessa união liturgica que, mais trinta e três horas depois, Jesus Cristal voltou do Céu. Sim, ele mesmo! O bom e velho filho de deus estava de volta para redimir novamente a humanidade de seus pecados, começando pelo menino Fulvio. O outrora rei dos judeus se aproximou da residência amplamente cercada e, num gesto curto, fez a casa toda explodir. O incêndio se alastrou para as casas dos vizinhos e pedaços de estrutruras pré-moldadas flamejantes atingiam as pessoas que estavam em volta. Um helicóptero que tentava filmar também foi atingido e caiu no meio da multidão que fugia apavorada. Foi um verdadeiro caos! Até hoje não se sabe ao certo quantas pessoas morreram naquela tragédia providenciada pelo recém chegado messias.

Aproveitando a atenção totalmente desviada para o novo ocorrido, Rullio Hyglécias, um jovem cadete da polícia, aproximou-se de Jesus e fez a pergunta que todos (menos eu!) queriam fazer:"Em nome de deus! Por que?" (eu teria perguntado porque o manto dele tinha estampado a logo da Nike...). Como resposta, Jesus Cristal arrancou sua cabeça e a empalou num ponto de ônibus que estava ali do lado. Essa cena foi filmada por duas crianças e, trinta e três minutos mais tarde, já seria o video mais acessado da stória do youtube.

Ninguém entendia o que estava acontecendo. As coisas só começarama ficar claras quando o peito do enviado celestial começou a ter violentas contrações e explodiu revelando o garoto Fulvio que saia de dentro do corpo santo emitindo uma maquiavélica gargalhada interrompida por soluços um tanto quanto preocupantes para a respiração do jovem num futuro distante se não forem tratadados. Revoltados, os fanáticos religiosos avançaram contra o menino, mas este fez uso da manjada técnica ninja de jogar uma bomba de fumaça e desaparecer.

Foi a última vez que alguém avistou Fulvio.

E formigas tanajuras também!

DISCO NA AGULHA: "PRETTY. ODD." - PANIC! AT THE DISCO

Terça-feira, Janeiro 26, 2010

Aloha,aloha!

Faz tempo, heim? Crise total pra escrever por aqui. Quem sabe daqui uns meses eu descubro o pq da dificuldade literária momentânea. Sem vontade pra nada nesse sentido (os blogs, letras de músicas e até mesmo releases q amigos andam me pedindo...). Só no twitter eu escrevo alguma coisa, mas deve ser pq os 140 caracteres me permitem ser seco. Olha só... talvez eu acabe de diagnosticar o motivo do stand by, hehe!

Quem acompanha a pré-stória dessa pocilga virtual já leu alguma vezes a máxima "cada vez mais cada vez menos vontade de explicar" e é bem por ae mesmo. Porém (TEM SEMPRE UM PORÉM!!!) percebo q ao vivo falo cada vez mais de maneira compulsiva. Será que finalmente regredi ao grau de maturidade onde as pessoas valorizam relações com pessoas físicas? Isso é coisa do século passado! Devo estar me tornando um saudosista mesmo. Coisa da idade...em fevereiro chego aos 29 anos de eczistência.

Dizem q nessa idade o ser humano vive o tal "Retorno de Saturno". Resumida e porcamente explicando é qdo chegamos no limite de matar a bola da vida no peito, ou seja, chegou o momento de trilhar o caminho daquilo q tu vai realizar de importante. Coisa de astrólogos e seus mapas astrais. Não sei inté onde acreditar nisso, mas assim como é o caso de deus, não digo mais q desacredito totalmente. "Fé cega e pé atrás" nunca me fez tanto sentido. Sério! O tempo é um dos dois senhores da razão (o outro sou eu, claro!) e, cada dia q passa, respeito mais esse senhor. São valores muito mais antigos do q minha eczistência. Tenho que baixar a cabeça e ouvir o que eles podem me ensinar. A mim cabe filtrar o q há de bom e de ruim. Separar o joio do trigo. Expressão véia? Poizé, Zé! O tempo é um dos dois...

Buenas, como não é ECZATAMENTE aos 29 anos, acredito q estou no olho do furacão do meu q, provavelmente, deve ter se iniciado aos 27 anos. Não tenho pretensões de assinar meu nomezinho na lista dos presentes desse mundinho cão, mas isso não quer dizer q não quero/vou realizar coisas importantes. Falo isso numa óptica interna, claro! Como diaria o bom e velho Uatu lááá da area azul da Lua "eu apenas observo". E tenho esse dom forte mesmo. A grande questão é q, a partir dos 26 pros 27 anos, perdeu um pouco a graça percerber detalhes das pessoas a minha volta e dançar ou provocar ou manipular conforme cada música.

O Universo Marvel tem tantas máximas q levo pra minha vida,né? Além do já citado Uatu, tem o tio Ben q manda "com grandes poderes vem grandes responsabilidades". E justo nesse ponto q lascou a minha diversão semi maldosa. Comecei usar o dom apontando ele pro inverso. Pra mim mesmo. O espelho da minha alma. Aquilo que não quero ver. Cada vez mais cada vez menos vontade de explicar.

No fim das contas, tamos ae de novo! Vamos ver se escrevo um "loucura não faz sentido" pra esses dias...

DISCO NA AGULHA: "LITTLE JOY" - LITTLE JOY